1) Questionando o diagnóstico
- Veja bem minha querida, essa sua falta de ar não é do seu coração, é o pulmão que já está ruim de tanto cigarro que a senhora fumou toda sua vida
- Mas... será doutor?
2) Queimando outros colegas
- Olha doutor, vou logo lhe dizendo que é difícil eu gostar de médico. Eu já estive no Dr. José, que nem me pediu exame. Fui ao doutor Antônio, que mal olhou na minha cara. Fui também ao Dr. Chiquinho, que me atendeu muito bem, me examinou, me pediu exames, mas eu não melhorei muito não.
- Bom, isso não torna a senhora mais especial que qualquer outro paciente que já atendi na vida, o que significa que esta informação não vai mudar a minha maneira de atender o paciente, mas realmente espero que ao final desta consulta a senhora não tenha mais motivos pra ter uma listinha de médicos desafetos.
- Ehhh.. Ahhh... Ah, doutor, gostei da sua sinceridade... já gostei do senhor!
3) Tentando intimidar o médico
- Olhe doutor, o senhor conhece o Dr. Zé Maria?
- Não
- Pois é, sou muito amiga dele. E o Dr. Luis Michel?
- Também não.
- Poxa, esse aí então, não pode me ver na rua que faz festa. E o Dr. Carlos Daniel?
- (ai meu saco...) olha, não conheço pessoalmente, mas já ouvi falar, dizem que é muito bom (não faço idéia de quem seja).
- É, é sim doutor, mas olhe, deixe eu lhe dizer o real motivo de eu ter vindo lhe procurar.
- (já era hora...)
4) Auto-prescrição, com ou sem efeitos colaterais esdrúxulos
- Olha doutor, vou logo lhe dizendo que não me dou bem com captopril porque me faz urinar muito, então me passe aí aquele Aradois que eu me dou melhor. - Minha querida, veja bem, preciso lhe dizer três coisas. Primeiro, captopril não faz urinar, bem pelo contrário, pode até fazer diminuir a urina. Segundo, meu consultório não é supermercado onde a senhora vai até a bandeja e pega o produto que quer, infelizmente ou felizmente, eu não trabalho dessa forma. Terceiro, a senhora me procurou para ouvir uma opinião técnica e se submeter a uma conduta médica ou veio até mim para revalidar seu diploma de medicina?
5) Negando o diagnóstico
- Olha seu Raimundo, o senhor fuma?
- doutor, faz 3 meses que eu parei, mas era só um pouquinho que eu fumava. Deu alguma coisa no meu elétrico do coração?
- Então, estou vendo aqui o seu eletro... aparece uma cicatriz aqui, o senhor já até infartou e não sabe!
- Não doutor, eu nunca infartei não.
- Meu querido, estou lhe dizendo que já infartou sim, do contrário essa alteraçãozinha não apareceria no seu exame. O senhor vai ter q fazer uma dieta a partir de agora e tomar uns remédios
- Não doutor, o que eu tive foi um princípio de pneumonia, não preciso tomar esses remédios não.
6) Preguiça de tomar o remédio
- Dona Maria, muito provavelmente a gente vai conseguir melhorar essa falta de ar da senhora com remédios, mas, a senhora é diabética, isso significa que, infelizmente, a senhora terá de tomar muitos remédios. O diabetes é uma doença muito séria que geralmente o paciente tem que tomar pelo menos uns cinco remédios. (...) lá vai a receita, nesse caso com enalapril, carvedilol, espironolactona, furosemida, aas, sinvastatina, metformina.
- Olhe querida, pegue aqui a receita e acompanhe a leitura que vou lhe explicar
- Ah doutor, sete remédios, nem perca seu tempo, não vou tomar isso tudo não?
- E por que não? A senhora não me procurou pra poder ficar boa? A senhora só vai melhorar tomando esses remédios. A maioria a senhora consegue na farmácia popular, baratinho, não vai ter problema pra comprar.
- Não não, isso tudo faz muito mal pro estômago, corte aí uns 4 desses e deixe só os mais importantes!
7) Ajustando a receita
- Dona joana, sua pressão está 230 x 170mmHg (altíssima)! A senhora por acaso não tomou seus remédios da pressão hoje?
- Não tomei não doutor, tem uma semana que não tomo.
- Minha querida, se a senhora não tomar, vai morrer! Agora se a senhora não quer tomar não precisa vir ao meu consultório fingir que está se tratando, a senhora perde seu tempo, finge que está se tratando e tira a vaga de alguém que quer se tratar!
- Ah doutor, é que eu não sinto nada se não tomar os remédios e essa semana eu tava ficando acordada direto, sem sono, então achei melhor tirar os remédios da pressão pra poder dormir!
- Pois é, tire novamente e a senhora vai dormir pra sempre!
sexta-feira, 8 de maio de 2009
domingo, 29 de março de 2009
Ponto de reparo
Ontem pela manhã, ao examinar uma senhora sexagenária durante uma consulta, algo - pela milésima vez - me chamou atenção, trazendo à tona uma pergunta que martelava na minha cabeça desde a faculdade. Afinal, "POR QUE AS VELHAS SEMPRE USAM A SAIA ACIMA DO UMBIGO?!" Lembro que há uns 4 anos atrás era muito difícil conter a risada interior ao ver aquela vozinha com a saia lá nos peitos...
Fiz um apanhado histórico em não tão extensa revisão de literatura a cerca de hábitos e costumes antigos, sem sucesso, o que me reveste da responsabilidade de responder esse questionamento à humanidade! Pois bem, penso que sejam cinco os motes que levem as vividas senhoras a se adornar de maneira tão peculiar:
(1) Na antiguidade o umbigo era considerado algo de extrema sensualidade, um ícone de castidade, que deveria ser exibido somente após o matrimônio, representando a entrega de algo muito íntimo, que a partir dali seria compartilhado como símbolo de cumplicidade, evitando o conjuge de pensar "apenas seu próprio umbigo".
(2) Em tempos remotos, quando não havia água encanada e o asseio pessoal não era tão primoroso, as mais religiosas senhoras acreditavam ser o umbigo fonte de impurezas, um buraco negro, que estava em seus corpos para não lhes deixar esquecer da existência do inferno, reiterando a necessidade de se manter firme nos caminhos de Deus.
(3) Mais recentemente, o uso da saia acima umbigo na era pós-beatleamaníaca na verdade não foi concebido como uma maneira de vestir a saia, mas era sim um vestido rasgado abaixo dos seios, quando começou a se caracterizar o top less como uma mensagem social de libertação das tendências conservadoras da época.
(4) Remonta a um período de revolução moral, o uso supraumbilical da saia foi uma resposta à expressão "olhar para o seu próprio umbigo", quando as senhoras idosas, já vividas e portanto detontaras dos mais elevados princípios éticos e morais, decidiram por não expor mais seus umbigos, como marca da aversão ao egoísmo, egocentrismo e - por que não assim dizer - umbigocentrismo.
(5) Em função da queda dos seios sobre o umbigo proporcionada pela distorção senil da anatomia fenimina, associada à diminuição da amplitude dos movimentos imposta pela artrose, a antissepsia deste simpático buraquinho se faz comprometida a partir de certa idade, tornando este detalhe do corpo motivo de vergonha para as senhoras mais recatadas, de modo que esconder o umbigo com a saia se torna uma opção viável de encobrir algo que, àquela altura, passa a fugir dos preceitos de decência.
Pretendo atualizar este post caso tome conhecimento de - ou invente - outra teoria a cerca dos hábitos senis de vestuário
Fiz um apanhado histórico em não tão extensa revisão de literatura a cerca de hábitos e costumes antigos, sem sucesso, o que me reveste da responsabilidade de responder esse questionamento à humanidade! Pois bem, penso que sejam cinco os motes que levem as vividas senhoras a se adornar de maneira tão peculiar:
(1) Na antiguidade o umbigo era considerado algo de extrema sensualidade, um ícone de castidade, que deveria ser exibido somente após o matrimônio, representando a entrega de algo muito íntimo, que a partir dali seria compartilhado como símbolo de cumplicidade, evitando o conjuge de pensar "apenas seu próprio umbigo".
(2) Em tempos remotos, quando não havia água encanada e o asseio pessoal não era tão primoroso, as mais religiosas senhoras acreditavam ser o umbigo fonte de impurezas, um buraco negro, que estava em seus corpos para não lhes deixar esquecer da existência do inferno, reiterando a necessidade de se manter firme nos caminhos de Deus.
(3) Mais recentemente, o uso da saia acima umbigo na era pós-beatleamaníaca na verdade não foi concebido como uma maneira de vestir a saia, mas era sim um vestido rasgado abaixo dos seios, quando começou a se caracterizar o top less como uma mensagem social de libertação das tendências conservadoras da época.
(4) Remonta a um período de revolução moral, o uso supraumbilical da saia foi uma resposta à expressão "olhar para o seu próprio umbigo", quando as senhoras idosas, já vividas e portanto detontaras dos mais elevados princípios éticos e morais, decidiram por não expor mais seus umbigos, como marca da aversão ao egoísmo, egocentrismo e - por que não assim dizer - umbigocentrismo.
(5) Em função da queda dos seios sobre o umbigo proporcionada pela distorção senil da anatomia fenimina, associada à diminuição da amplitude dos movimentos imposta pela artrose, a antissepsia deste simpático buraquinho se faz comprometida a partir de certa idade, tornando este detalhe do corpo motivo de vergonha para as senhoras mais recatadas, de modo que esconder o umbigo com a saia se torna uma opção viável de encobrir algo que, àquela altura, passa a fugir dos preceitos de decência.
Pretendo atualizar este post caso tome conhecimento de - ou invente - outra teoria a cerca dos hábitos senis de vestuáriosegunda-feira, 9 de março de 2009
Sobre a histeria...
Doença nervosa, grande excitação... várias são as concepções populares para a palavra "histeria". Quantas vezes já chamamos outras pessoas de histérico ou histérica, quando estas estão em momentos de agitação ou nervosismo intenso?
Depois de um mês sem escrever neste blog, de onde inventei esse papo de histeria? Na verdade, estava conversando por esses dias sobre história da psicologia com um profissional da área e ele me comentou alguns aspectos interessantes sobre a evolução temporal do diagnóstico e tratamento desta condição. Deste colóquio flácido surgiram informações que aqui compartilharei convosco.
O termo histeria é derivado da palavra grega hystera e significa matriz.
- De acordo com Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, matriz é o "lugar onde algo se gera ou cria; órgão das fêmeas dos mamíferos onde se gera o feto; útero.
- Hipócrates entendia a histeria como sendo uma doença orgânica de origem uterina e, portanto, especificamente feminina que afetava todo o corpo por sufocações da matriz. Ele supunha que a histeria se desenvolvia pela privação de relações sexuais, dessecando o útero, que perderia peso e se deslocaria pelo corpo em busca da umidade necessária. A paciente teria sua respiração afetada, desenvolvendo convulsões se o útero subisse até o hipocôndrio e estacionasse nesse órgão. Caso o útero prosseguisse sua subida e atingisse o coração, a paciente emitiria sinais de ansiedade, opressão e vômitos.
- Elisabeth Roudinesco e Michel Plon afirmam que "as convulsões e as famosas sufocações da matriz eram consideradas a expressão de um prazer sexual e, por conseguinte, de um pecado". A mulher era vista como sendo possuída por um demônio, que a fazia agir involuntariamente, simulando doenças, ou seja, um pitizão!
- Ramadam entendia o desenvolvimento da histeria pelo efeito de "um calor interno que propagaria através de todo o corpo uma efervescência, manifestando-se sem cessar em convulsões e espasmos". Esse calor seria representante da paixão, entusiasmo ou ardor amoroso. Dessa forma, a histeria estaria mais associada a moças que procuram namorados, jovens viúvas ou separadas.
- Freud versou sobre a etiologia sexual da histeria, citando Charcot, que “em casos semelhantes, sempre é a coisa genital”, e Chobrak, cuja prescrição apropriada para esses casos era “Penis normalis dosim repetatur"

No serviço privado vez por outra atendo alguns casos de dor no peito e falta de ar que me remontam Chobrak... Freud explica!
Depois de um mês sem escrever neste blog, de onde inventei esse papo de histeria? Na verdade, estava conversando por esses dias sobre história da psicologia com um profissional da área e ele me comentou alguns aspectos interessantes sobre a evolução temporal do diagnóstico e tratamento desta condição. Deste colóquio flácido surgiram informações que aqui compartilharei convosco.
O termo histeria é derivado da palavra grega hystera e significa matriz.
- De acordo com Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, matriz é o "lugar onde algo se gera ou cria; órgão das fêmeas dos mamíferos onde se gera o feto; útero.
- Hipócrates entendia a histeria como sendo uma doença orgânica de origem uterina e, portanto, especificamente feminina que afetava todo o corpo por sufocações da matriz. Ele supunha que a histeria se desenvolvia pela privação de relações sexuais, dessecando o útero, que perderia peso e se deslocaria pelo corpo em busca da umidade necessária. A paciente teria sua respiração afetada, desenvolvendo convulsões se o útero subisse até o hipocôndrio e estacionasse nesse órgão. Caso o útero prosseguisse sua subida e atingisse o coração, a paciente emitiria sinais de ansiedade, opressão e vômitos.
- Elisabeth Roudinesco e Michel Plon afirmam que "as convulsões e as famosas sufocações da matriz eram consideradas a expressão de um prazer sexual e, por conseguinte, de um pecado". A mulher era vista como sendo possuída por um demônio, que a fazia agir involuntariamente, simulando doenças, ou seja, um pitizão!
- Ramadam entendia o desenvolvimento da histeria pelo efeito de "um calor interno que propagaria através de todo o corpo uma efervescência, manifestando-se sem cessar em convulsões e espasmos". Esse calor seria representante da paixão, entusiasmo ou ardor amoroso. Dessa forma, a histeria estaria mais associada a moças que procuram namorados, jovens viúvas ou separadas.
- Freud versou sobre a etiologia sexual da histeria, citando Charcot, que “em casos semelhantes, sempre é a coisa genital”, e Chobrak, cuja prescrição apropriada para esses casos era “Penis normalis dosim repetatur"

No serviço privado vez por outra atendo alguns casos de dor no peito e falta de ar que me remontam Chobrak... Freud explica!
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Pressão vacilante
[primeiro post pós férias]
- Bom dia mestre, e aí, o que traz o senhor aqui?
- Ah dotô, é a garganta, uma dor nas costa, aqui debaixo das costela...
- Mas pera aí, encaminharam o senhor pra cardiologia por causa de dor de garganta?
- Ih dotô, num sei porque me encaminharu não, só sei que a garganta dói todo dia.
- Mas mestre, me diga uma coisa, o senhor tem pressão alta?
- Aaaahhhh... tenho sim dotô, tenho pressão vacilante!
(eu achando que ele esquecia de tomar o remédio)
- O senhor vacila muito com a pressão é?
- É dotô, ela vacila muito, hora dá alta, hora da baixa, fica vacilando o tempo todo...
Pior que depois que vi o "elétrico" do cidadão, tava lá o "vacilo" causado pela pressão oscilante dele...
- Bom dia mestre, e aí, o que traz o senhor aqui?
- Ah dotô, é a garganta, uma dor nas costa, aqui debaixo das costela...
- Mas pera aí, encaminharam o senhor pra cardiologia por causa de dor de garganta?
- Ih dotô, num sei porque me encaminharu não, só sei que a garganta dói todo dia.
- Mas mestre, me diga uma coisa, o senhor tem pressão alta?
- Aaaahhhh... tenho sim dotô, tenho pressão vacilante!
(eu achando que ele esquecia de tomar o remédio)
- O senhor vacila muito com a pressão é?
- É dotô, ela vacila muito, hora dá alta, hora da baixa, fica vacilando o tempo todo...
Pior que depois que vi o "elétrico" do cidadão, tava lá o "vacilo" causado pela pressão oscilante dele...
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A extradição de Battiste e suas repercussões sociais
Canção de "ex-gay" é favorita para ganhar o festival de San Remo
A música "Luca era gay", onde o cantor italiano de graça Giuseppe Povia se declara ex-gay, é a favorita pra ganhar a atual edição do festival de San Remo. O cantante afirma ter se submetido a um tratamento de conversão com o psicologo americano Joseph Nicolosi, de uma associação chamada NARTH (National Association for Research & Therapy of Homosexuality).
Povia diz que desde criança, com a separação dos pais, foi criado em um ambiente feminino, por isso "se tornou" gay.
Não sei não, mas nessa onda de prende ou solta o italiano, já tem carioca afirmando também ter se convertido a ex gay, conforme autodeclaraçao manifesta no video a seguir.
A música "Luca era gay", onde o cantor italiano de graça Giuseppe Povia se declara ex-gay, é a favorita pra ganhar a atual edição do festival de San Remo. O cantante afirma ter se submetido a um tratamento de conversão com o psicologo americano Joseph Nicolosi, de uma associação chamada NARTH (National Association for Research & Therapy of Homosexuality).
Povia diz que desde criança, com a separação dos pais, foi criado em um ambiente feminino, por isso "se tornou" gay.
******
Não sei não, mas nessa onda de prende ou solta o italiano, já tem carioca afirmando também ter se convertido a ex gay, conforme autodeclaraçao manifesta no video a seguir.
Antigamente era proibido, hoje é aceitável... vou me embora antes que vire obrigatório!
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
CID-10 F45.2
CHICO HIPOCONDRIA
(Luiz Fernando Gonçalves/Aécio Flávio)
Chico hipocondria
Era encucado e sismado que sofria
de arritmia, cardiopatia, pneumonia
E tinha o sangue ruim
Tinha mania, tinha fobia
Unha encravada e um calo que doía
E tinha um dedo da mão que não mexia
de nevralgia, tinha anemia
um olho ardia e tinha azia
E um belo dia
Sua mulher se internou para ter um filho
Que correria, que gritaria, uma histeria,
Quando nasceu o nenem
O pobre Chico, se contorcia
Com dor de parto também.

Interpretação por Leny Andrade disponível para apreciação em http://www.recantodasletras.net/audios/cancoes/252
(Luiz Fernando Gonçalves/Aécio Flávio)
Chico hipocondria
Era encucado e sismado que sofria
de arritmia, cardiopatia, pneumonia
E tinha o sangue ruim
Tinha mania, tinha fobia
Unha encravada e um calo que doía
E tinha um dedo da mão que não mexia
de nevralgia, tinha anemia
um olho ardia e tinha azia
E um belo dia
Sua mulher se internou para ter um filho
Que correria, que gritaria, uma histeria,
Quando nasceu o nenem
O pobre Chico, se contorcia
Com dor de parto também.

Interpretação por Leny Andrade disponível para apreciação em http://www.recantodasletras.net/audios/cancoes/252
sábado, 17 de janeiro de 2009
Regras Mnemônicas em Medicina
Ano novo, meta nova da qual dependerá todo meu futuro: passar em concurso pra residência em cardiologia num lugar que preste. Começou tudo de novo. Já me sinto como nos velhos tempos de cursinho, apostilas, revisão, questões e mais questões. Porém, uma das coisas que sempre me ajudou nos estudos foi a criação e uso - indevido - de regras mnemonicas. Quem não lembra das famosas frases pra decorar a tabela periódica "Hoje LiNa Kasou com Rubídio Césio Frâncio" ou "OS SeTe Porquinhos"?
Pensando nisso, segue um "macete" pueril que inventei no 3º ano da faculdade para - na época - decorar os sopros cardíacos característicos de cada valvopatia.
PRÉ-REQUISITO:
- Ter jogado Fifa Soccer 97 na juventude e lembrar da vinheta de abertura do jogo, onde o cara fala E A Sports! Memorize o acrônimo EAS!
- Conhecer os quatro focos principais de ausculta cardíaca: aórtico, pulmonar, tricúspide e mitral.
- Lembrar que as lesões de valvas cardíacas que podem produzir sopro são de dois tipos: insuficiência ou estenose.
- Lembrar que, funcionalmente, a valva mitral é similar à tricúspide (valvas atrioventriculares) e que a valva aórtica é similar à pulmonar.
O BIZÚ:
Estenose aórtica: EAS. Estenose Aórtica o sopro é Sistólico. Vai ser mais audível no foco aórtico.
Estenose pulmonar: Se a valva pulmonar é similar à aórtica, o sopro é igual, porém no foco pulmonar. Ou seja, Na estenose pulmonar o sopro é sistólico, mais audível no foco pulmonar.
Insuficiência aórtica: Justamente o contrário da estenose. Vai ser um sopro diastólico, mais audível no mesmo foco.
Insuficiência pulmonar: Similar à insuficiência aórtica, mais audível no foco pulmonar.
Estenose Mitral e Tricúspide: O contrário da estenose aórtica. Vai ser um sopro diastólico, mais audível no foco mitral (estenose mitral) ou tricúspide (estenose tricúspide).
Insuficiência Mitral e Tricúspide: O contrário. Sopro sistólico, mais audível em foco mitral ou tricúspide.
Se você ainda não entendeu, segue a representação matemática do Bizú:
A = P; M = T
E= 1 A = 2 S = 3
EAS = Estenose Aórtica é Sistólico
Se muda uma das duas primeiras letras do EAS muda, a terceira (ex.: Insuficiência aórtica - Se ao invés de EA tem IA, não vai ser EAS, vai ser IAD)
Se mudam as duas primeiras letras do EAS, a terceira não muda (ex.: Insuficiência mitral - Se ao invés de EA tem IM, vai ser um IAS, ou seja, continua sistólico)
Se ainda assim não entendeu, vai estudar a fisiopatologia das valvopatias cardíacas da maneira correta!
Em tempo, por esses dias criei um bizú bem mais simples pra decorar as manifestações clínicas do Mieloma múltiplo: "Mieloma dá na India, terra do GAnDHI" (Gamopatia monoclonal, Anemia, Dor óssea, Hipercalcemia, Insuficiência renal)
Associações de memorização mais fácil que essas podem ser encontradas em um livro até interessante chamado Regras Mnemônicas em Medicina, do qual transcrevo alguns tópicos nest post:
Causas de Hipocalcemia: PPRIMA
Pancreatite, Paratireóide (Hipoparatiroidismo), Rabdomiólise, Insuficiência Renal, Magnésio baixo e Albumina baixa
Causas de cavitação pulmonar: TRIPA
Tuberculose, Artrite Reumatóide, Infarto pulmonar, Pneumonia e Abscesso pulmonar
Causas de glicose baixa no líquido pleural: NETA
Neoplasia, Empiema, Tuberculose, Artrite Reumatóide
Causas de insuficiência renal com rim aumentado: DEMORA(H)
Diabetes, Esclerodermia, Mieloma, Obstrução urinária com hidronefrose, Rins policísticos, Amiloidose e HIV
O H é liberdade poética da Cintia, minha R2 pelas próximas duas semanas.
Causas deacidose metabólica com anion gap aumentado: SALUD
Salicilatos, Álcool, Lactato, Uremia e Diabetes
Critérios de Ranson: LEGAL (24h), FECHOU (48h)
LDH, Enzimas hepáticas, Glicose, Anos e Leucocitose
Fluidos, EB, Cálcio, Hematórcrito, Oxigênio e Uréia
Pensando nisso, segue um "macete" pueril que inventei no 3º ano da faculdade para - na época - decorar os sopros cardíacos característicos de cada valvopatia.
PRÉ-REQUISITO:
- Ter jogado Fifa Soccer 97 na juventude e lembrar da vinheta de abertura do jogo, onde o cara fala E A Sports! Memorize o acrônimo EAS!
- Conhecer os quatro focos principais de ausculta cardíaca: aórtico, pulmonar, tricúspide e mitral.
- Lembrar que as lesões de valvas cardíacas que podem produzir sopro são de dois tipos: insuficiência ou estenose.
- Lembrar que, funcionalmente, a valva mitral é similar à tricúspide (valvas atrioventriculares) e que a valva aórtica é similar à pulmonar.
O BIZÚ:
Estenose aórtica: EAS. Estenose Aórtica o sopro é Sistólico. Vai ser mais audível no foco aórtico.
Estenose pulmonar: Se a valva pulmonar é similar à aórtica, o sopro é igual, porém no foco pulmonar. Ou seja, Na estenose pulmonar o sopro é sistólico, mais audível no foco pulmonar.
Insuficiência aórtica: Justamente o contrário da estenose. Vai ser um sopro diastólico, mais audível no mesmo foco.
Insuficiência pulmonar: Similar à insuficiência aórtica, mais audível no foco pulmonar.
Estenose Mitral e Tricúspide: O contrário da estenose aórtica. Vai ser um sopro diastólico, mais audível no foco mitral (estenose mitral) ou tricúspide (estenose tricúspide).
Insuficiência Mitral e Tricúspide: O contrário. Sopro sistólico, mais audível em foco mitral ou tricúspide.
Se você ainda não entendeu, segue a representação matemática do Bizú:
A = P; M = T
E= 1 A = 2 S = 3
EAS = Estenose Aórtica é Sistólico
Se muda uma das duas primeiras letras do EAS muda, a terceira (ex.: Insuficiência aórtica - Se ao invés de EA tem IA, não vai ser EAS, vai ser IAD)
Se mudam as duas primeiras letras do EAS, a terceira não muda (ex.: Insuficiência mitral - Se ao invés de EA tem IM, vai ser um IAS, ou seja, continua sistólico)
Se ainda assim não entendeu, vai estudar a fisiopatologia das valvopatias cardíacas da maneira correta!
Em tempo, por esses dias criei um bizú bem mais simples pra decorar as manifestações clínicas do Mieloma múltiplo: "Mieloma dá na India, terra do GAnDHI" (Gamopatia monoclonal, Anemia, Dor óssea, Hipercalcemia, Insuficiência renal)
Associações de memorização mais fácil que essas podem ser encontradas em um livro até interessante chamado Regras Mnemônicas em Medicina, do qual transcrevo alguns tópicos nest post:
Causas de Hipocalcemia: PPRIMA
Pancreatite, Paratireóide (Hipoparatiroidismo), Rabdomiólise, Insuficiência Renal, Magnésio baixo e Albumina baixa
Causas de cavitação pulmonar: TRIPA
Tuberculose, Artrite Reumatóide, Infarto pulmonar, Pneumonia e Abscesso pulmonar
Causas de glicose baixa no líquido pleural: NETA
Neoplasia, Empiema, Tuberculose, Artrite Reumatóide
Causas de insuficiência renal com rim aumentado: DEMORA(H)
Diabetes, Esclerodermia, Mieloma, Obstrução urinária com hidronefrose, Rins policísticos, Amiloidose e HIV
O H é liberdade poética da Cintia, minha R2 pelas próximas duas semanas.
Causas deacidose metabólica com anion gap aumentado: SALUD
Salicilatos, Álcool, Lactato, Uremia e Diabetes
Critérios de Ranson: LEGAL (24h), FECHOU (48h)
LDH, Enzimas hepáticas, Glicose, Anos e Leucocitose
Fluidos, EB, Cálcio, Hematórcrito, Oxigênio e Uréia
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