terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Sin embargo

Causo ocorrido na noite do último Natal, dia 25, na emergência cardiológica do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (PA).
Chega paciente de demanda espontânea, procedente de Salinas, o balneário mais badalado do Estado, para onde drena parcela da classe média alta paraense que não tem condições de se assentar nos edênicos paradouros estampados nas páginas do Guia 4 Rodas. Era um senhor de meia idade, caseiro, trazido a Belém às pressas pelo seu patrão, o desembargador federal Sr. M, referindo - o acompanhante, na qualidade de interlocutor - que o mesmo sentia dor no peito e na cabeça, e que teria sido atendido num serviço de emergência na cidade de origem, sob a suspeita de infarto e que deveria ser avaliado por cardiologista.
Pois bem... o cardiologista atendeu, avaliou o paciente e concluiu que não se tratava de quadro cardiológico ou qualquer outra condição que determinasse risco de morte no momento, e que por isso o liberaria para o hospital de pronto-socorro municipal (HPSM), comunicando o fato a um familiar do doente, que também estava presente. Prescreveu medicação para dor e preencheu uma guia de referência, onde constam informações sobre o quadro clínico do doente e o motivo do encaminhamento, que deveria ser entregue no HPSM.
Minutos depois...
O desembargador questionou o cardiologista sobre porque do paciente estar sendo transferido, e queria saber o que estava escrito. O médico então, segundo informado pelo Sr. M (eu não estava presente no momento), se negou a lhe prestar maiores esclarecimentos, pois já teria informado a família do paciente. Naquele momento o respeito perdeu lugar para a vaidade, que, por sua vez convidou o caos para participar dos comentários acalorados. "Você sabia que posso lhe dar voz de prisão", "idiota", "palhaço" dentre outros termos proferidos pela "autoridade" ali presente. "Vou chamar a imprensa pra falar do péssimo atendimento de vocês aqui"
Dois dias após, um jornal local, pertencente ao maior grupo de imprensa do Estado, publicara o seguinte texto:


Desembargador reclama de constrangimento sofrido no hospital de clínicas, em Belém


O desembargador federal Sr.M passou por uma situação inusitada e desagradável na noite da última quinta-feira ,25, dia de Natal. Ele esteve no hospital de Clínicas, no bairro do Marco, acompanhando o caseiro que trabalha para a sua família, que estava passando mal, e foi, segundo conta, ignorado e maltratado pelo médico que prestou atendimento ao rapaz. De acordo com o desembargador, o plantonista, identificado apenas como XXX, recusou-se, sem motivo algum, até a dar maiores informações sobre o estado de saúde do próprio paciente, alegando que o desembargador não era 'parente' do rapaz.

De acordo com o desembargador, o caseiro, que vive em Salinas, começou a se sentir mal ainda na manhã de quinta-feira, com dores no peito e de cabeça. Atendido em um hospital local, ele foi transferido para Belém por conta de uma suspeita de infarto. Já no hospital de Clínicas, segundo Sr. M, o médico que o assistiu, de pré-nome XXX, foi agressivo e se recusou a dar maiores informações sobre o estado de saúde do caseiro, liberando-o em seguida. 'Quando ele (o médico) saiu da sala de atendimento, nos deu uma espécie de laudo sobre o paciente, mas como não entendi a letra, fui procurá-lo para que me explicasse o que estava escrito ali. Ele foi muito grosseiro, disse que eu não era parente e, depois de uma discussão comigo, resmungou apenas que havia liberado o paciente', relatou o desembargador que, inconformado com a situação, formalizou uma queixa, através de um bilhete, e depositou em uma espécie de urna que funciona como 'ouvidoria' do hospital. 'Até onde eu sei, a ouvidoria é um lugar, como o próprio nome diz, onde a gente deve ser ouvido a respeito daquele atendimento ou serviço, mas não foi o que eu vi. Não sei se aquela reclamação que eu escrevi vai ser sequer lida, mas não podia sair de lá assim. Acho que o médico, antes de qualquer coisa, precisa entender que ele está cuidando de seres humanos', comentou.

Ainda preocupado com a situação do funcionário, Marcos levou-o, assim que saiu do hospital, para uma consulta com sua irmã, que é médica. 'Ela o medicou e ele voltou para Salinas, mas continua tendo os mesmos sintomas', afirmou.


(...)


Passada minha revolta com o fato, mas ainda sob indígnio, ficam as ponderações a cerca do episódio:
(1) 6 anos de faculdade + 2 anos de residência em clínica médica + 2 anos de residência em cardiologia = no minimo, 10 anos de estudo. Não é provável que um leigo em medicina, por mais escolaridade que possua, consiga questionar este profissional.
(2) Uma coisa que aprendi na faculdade: Só um médico tem competência para questionar a capacidade técnica de outro médico, e ninguém mais. Senão os pareceres dos conselhos regionais e federal de medicina não teriam validade jurídica.
(3) Outra coisa que aprendi na faculdade: desacatar funcionário público no exercício de sua função ou em razão dela é crime, que pode dar até 2 anos de reclusão. Quando questionei o que seria propriamente o desacato, falou-me um legista certa vez, "desacatar é faltar ao respeito devido a alguém, desprezar, menosprezar, afrontar ou vexar."
(4) O médico não precisaria realmente ter informado ao Sr. M sobre o quadro do paciente, pois já tinha informado à acompanhante do paciente e o Código de Ética Médica é bem claro em relação ao segredo médico. No entanto, isso, de fato, não o impediria de ter sido mais cortês - reitero, eu não estava presente, até porque a letra do colega realmente é muito feia.
(5) É considerado abuso de autoridade por excesso de poder quando o acusado atua fora dos limites de sua competência. Entre as principais condutas do abuso de autoridade estão (A) ordenar ou executar, de forma ilegal, medida privativa de liberdade; (B) ato lesivo da honra quando praticado sem atribuição legal e (C) atentar contra os direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional.
(6) A matéria do jornal não cita nenhuma vez o nome do paciente, que deveria ser o personagem mais importante dessa estória, no entanto cita mais de uma vez o nome do médico e do jurista, responsável pela matéria.
Me entristece a corrupção dos objetivos dos meios de informação deste Estado, que ao invés de contribuir para o crescimento da sociedade, se prestam a redigir matérias com mote único de denegrir instituições ou pessoas físicas.
(7) É preciso entender a diferença entre uma Ouvidoria e os populares SACs, Serviço de Atendimento ao Cliente. Entendo por ouvidoria um instrumento de estratégia de gestão, baseado na participação ampla da sociedade em seus diversos segmentos, do diretor do hospital ao usuário do SUS. Não podemos confundir esse contexto com um meramente burocrático, onde se buscam soluções para queixas individuais, não representativas dos anseios do coletivo, visto que não têm reprodutividade.
(8) A irmã do desembargador poderia ter diagnosticado ou afastado a possibilidade de um suposto infarto, uma vez que síndrome coronariana é um diagnóstico clínico, isto é, todo médico, ao menos teoricamente, tem esse conhecimento, independente da especialidade.
(9) Por definição, urgência e emergência significa risco de morte em 24 a 48h. Como o paciente continua apresentando os mesmos sintomas, desde que não estejamos diante de um caso raríssimo de infarto, nunca descrito na literatura médica, estão descaracterizados urgência médica e, mais ainda, infarto agudo do miocárdio.
(10) Toda essa situação teria sido evitada se o médico que estava de plantão em Salinas soubesse diagnosticar um síndrome coronariana clinicamente. E mesmo que ele estivesse na dúvida se aquela síndrome coronariana seria ou nao infarto, o hospital de Salinas dispõe de exames complementares para o diagnóstico de certeza de infarto. Porém, existe a possibilidade de que eu esteja errado, no caso do colega em ter se permitido intimidar com a pompa do acompanhante do doente, encaminhando prontamente para unidade cardiológica de referência. Nessa situação não teria faltado conhecimento técnico,e sim falta de responsabilidade social e respeito com a própria profissão que exerce.


Enquanto isso, tem jogador de futebol do Castanhal Esporte Clube ganhando mais do que eu...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mancadas de médico

É comum em aniversários, mesas de bar - sim, médicos vão ao bar - e pequenos grupos de bate-papo se presenciar a já tradicional rodinha dos médicos, onde todos se reunem pra contar os casos mais difíceis de diagnosticar e tratar e, por vezes, aqueles mais bizonhos, onde pacientes descrevem sintomas totalmente sem pé nem cabeça, que já duram muitos meses ou anos, desencadeados ou agravados por algum fator sem relação lógica, sem qualquer alusão a algo já descrito na literatura médica - qualquer dia escrevo sobre os mais bizonhos. Não tão comum é ouvir o doutor contando das suas mancadas durante o exercício da labuta, que por vezes são tão engraçadas quanto a bizonhice alheia. Lembrando disso, vou narrar rapidamente alguns fatos ocorridos do outro lado da mesa, quando protagonizei alguns comentários bizonhos.

(1) Entrando na sala de emergência, sinto um cheiro estranho no ambiente...
- "Que cheiro é esse de queimado?" Perguntei
à enfermeira.
- "Sou eu doutor", me respondeu ao fundo do recinto uma paciente que tinha se acidentado com o ferro de passar roupa, exalando odor mais forte que plástico na fogueira...

(2) Essa quase todo mundo já cometeu, mesmo os não médicos. O problema é que pra médico fica mais feio. A questão é que tem umas mulheres com uma pança dura e ovóide muito parecida com o ventre da mulher gestante, que fica difícil você diferenciar só de olhar, ao receber no consultório uma jovem com uma protuberância abdominal dessas. Se parasse por aí tudo bem, porém, mais problemático ainda, é ter que prescrever pra moça uma medicação proibida para gestantes; nesses casos você se vê obrigado a questionar a vigência de uma gravidez, aí fica buscando palavras mais amenas pra não passar vergonha...
- Olha querida, é que preciso passar um remédio pra você... pra tratar essa sua infecção, e mulher em idade fértil é sempre importante perguntar sobre gravidez... existe alguma possibilidade de você estar grávida?
- Sim doutor, 4 meses segundo o último ultrassom!
(Melhor que ela tenha me achado burro do que eu ter perguntado isso e fosse só um panção. Com auto estima de mulher não se brinca!)

(3) Mulher com criança no colo, de chapéu e roupinha verde - podia ter me facilitado vestindo a criança de azul ou róseo...
- Ah doutor, é tosse, febre e catarrinho do nariz
Examinei a criança...
Nasofaringite viral aguda, só remédio pra febre e hidratação oral em casa...
Hora de calcular a dose do remédio pra febre, baseado no peso da criança!
- Qual é o peso dela?
- Não é ela doutor, é ele!
- Não minha querida, me referi a "ela" como "a criança", o cálculo da dose é por peso e não por sexo.
(Tá certo que não tinha brinco nas orelhas, mas bebê é tudo igual mesmo)




Queria continuar escrevendo até completar 7 mancadas, mas dois motivos me impediram de prosseguir. Primeiro, ainda não tenho tempo de medicina o suficiente pra cometer sete gafes memoráveis. Em segundo e não menos importante, em todos esses relatos anedóticos, porém verídicos, a paciente ou acompanhante era uma mulher, mas juro que é apenas coincidência!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Guia prático de comunicação médico-popular - Parte 1

Uma das coisas boas desse meu estranho ofício é a oportunidade de conhecer as peculiaridades que a língua portuguesa adquire nas diferentes regiões do país. As vezes dentro de uma mesma cidade o idioma se distorce, a ponto de se confundir com um dialeto.
Em quase dois anos de medicina, consegui incorporar ao meu vocabulário alguns termos engraçados, coletados em ambulatórios, enfermarias, unidades de pronto-atendimento e ações cívico-sociais desenvolvidas por todo o Estado do Pará. Tem também o que eu chamo de fenômeno do re-batismo das medicações, uma propriedade que não é só privilégio dos usuários do SUS, mas de todos os membros da sociedade que frequentam os serviços de saúde, independente da classe social.
Vou citar aqui alguns desses elementos linguísticos que mencionei de maneira geral. Provavelmente não vou lembrar de todos, muito menos tenho a pretensão de esgotá-los, uma vez que a língua portuguesa está em constante mudança.
- Astrose: Artrose.
- Benclamide, Clamide, Gliclamide: Glibenclamida, medicação hipoglicemiante de uso oral, geralmente prescrita para pacientes diabéticos.
- Capitãofril, Cabeçãopril, Capotril, Catupiry: Captopril, uma medicação usada principalmente para tratar hipertensão arterial.
- Cara branca, Passamento: Mal-estar, com sensação de que vai desmaiar.
- Carnegão: Pús drenado de um furúnculo, após expressão manual.
- Cateritismo, Caceterismo: Cateterismo.
- Clotizide, Clorizide, Hidra, Hidracló: Hidroclorotiazida, um diurético cujo nome, confesso, realmente é difícil de pronunciar.
- Coceira nas partes: Prurido vaginal
- Culinárias: Coronárias.
- Desistir: evacuar. i.e.: "Ah doutor, faz tempo que eu não desisto!"
- Dor na pente: Dor em baixo ventre.

- Elétrico: Este exame tem duas modalidades, pode ser "do coração" (eletrocardiograma) ou "da cabeça" (eletroencefalograma).
- Espinhaço: Coluna vertebral, termo geralmente usado para se referir à coluna lombar.
- Escorrimento, Inflamação, Inframação: Corrimento vaginal.

- Faniquito: Sensação esdrúxula de mal-estar geral. i.e.: "Ah doutor, quando entra pela tarde, eu sinto uma coisa ruim e me dá um faniquito."
- Izipla, Vermelha: Erisipela.
- Malandra: Pênis.
- Me buiú uns caroço: Nódulos ou pápulas (endurações) surgidas recentemente na pele.
- Nascida: Furúnculo.
- Ovada: Grávida.
- Perini: Períneo. Normalmente, "perini" é mencionada para se referir à perineoplastia, uma cirurgia para correção da musculatura do períneo.
- Perseguida: Vagina.
- Piriri: Diarreia. Termo empregado mais comumente no sul do Pará
- Rauxis: Radiografia.
- Sistema Nervoso: Ansiedade, inquietude. i.e.: "Ah doutor, estou com muito sistema nervoso."
- Titinga: Micose. Tinea corporis.
- Tração: Ultra-som.
- Trans: Ultra-sonografia transvaginal.
- Vir aos pés: Menstruar. i.e.: "Ah doutor, faz tempo que não vem aos pés!"
- Xarope de Klicli: Xarope de cloreto de potássio, sal representado quimicamente como KCl, utilizado para reposição oral de potássio. Créditos ao Dr. Rubem Conde, oncologista que me apresentou este termo.

Conforme eu for lembrando de mais termos ou conhecendo novos, vou adicionando a este post...

As 7 mais - Pediátricas (O que aconteceu com as avós de outrora?)

Madrugada...

Plantão de "urgência e emergência" em uma Unidade Básica de Saúde, localizada em um bairro de alta periculosidade da capital da Amazônia...

Pela porta adentra uma "mulher" de 14 a 35 anos de idade, com uma criança no colo...

1) "Meu filho está com nariz entupido"
- Os pulmões estão normais, isso é gripe
- Não dá pra fazer um aerosol ou um remédio pra ele me deixar dormir?


2) "Meu filho está cansado" (na verdade era outro com nariz entupido)
- Desde quando?
- Desde as 8 da manhã
- E porque você só trouxe agora?
- Porque ele está reclamando muito e não me deixa dormir


3) "Meu filho furou o pé num prego antes de ontem"
- E porque você só trouxe agora?
- Porque ele está reclamando muito e não me deixa dormir

4) "Meu filho está com febre"
- Desde que horas?
- Desde ontem, a febre vem e passa, vem e passa...
- E porque você só trouxe agora?
- Porque fico preocupada e não consigo dormir
- Você deu remédio pra febre? - Não.
- Porque nao?
- Porque eu não tenho remédio pra febre em casa.
- Mas remédio pra febre é de graça, você pode pegar no posto...
- Mas só dá pra pegar de manhã, e ele só voltou a ter febre agora a noite... não consegui mais dormir.

5) "Meu filho de dois meses está com uma diarréia há uma semana"

- Do que ele se alimenta?
- Sopinha de feijão e carne batida... não dá pra fazer um soro?.
- Soro não é e nunca foi remédio! Ele não toma leite materno?
- Não, ele não se deu
- Você já levou na consulta com o pediatra? Porque você só trouxe agora? E pra emergência?
- Não levei não, vou levar amanhã, trouxe agora porque fico preocupada e não consigo dormir.
- Então pare de fazer cara feia porque eu lhe neguei o soro e alimente o seu filho direito, vá amamentá-lo!

6) "Meu filho está com uma coceira aqui nos pés"
- Ele brinca muito na terra?
- Ihh dotô, vive na rua com os pé descalços...
- Isso aí nos pés dele com certeza não é coisa que começou hoje. Porque você trouxe só agora?
- Porque ele tava se coçando muito, fiquei preocupada e não consigui mais dormir.

7) "Meu filho acordou e está chorando muito"

- Ele teve tosse, febre, convulsão ou ficou fora do ar por algum período recentemente?
- Não.
- Isso já aconteceu outras vezes?
- Quase toda noite
- E porque a senhora trouxe ele só agora e não levou a consulta no pediatra?
- Porque ele estava chorando muito, fiquei preocupada e não consegui mais dormir.




O mais difícil é continuar estampando o sorriso no rosto...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Jingle Bells Rock

Já começava a me sentir um neandertal quando enfim resolvi fazer o que minha mente inquieta há tempos me cobrava, mas meu superego* não me permitia - tornar públicas minhas opiniões, piadas, textos que não me atrevo a chamar de poemas, situações engraçadas vividas na minha até então curta carreira e algumas presepadas inocentes de quando mais jovem...
O nome do Blog? Ah sim... bom, não que eu acredite que seja portador de Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)** - apesar de já ser referido como tal por algumas, não tão poucas, pessoas, hehehe. Na verdade, me refiro a um jeito de levar a vida como algo que lembre a tragicomédia do teatro grego. Imagine um médico de 25 anos, formado aos 23, já tendo cursado um ano de medicina veterinária, seis de medicina e servido às Forças Armadas na gloriosa Marinha do Brasil por um ano e agora há um mês de começar o segundo ano de residência médica***. Enrolei e não disse nada... resumindo, falo de uma dicotomia aproveitar a juventude/assumir - com prazer e sobriedade - responsabilidade sobre o maior bem de um ser humano, a vida.
Isso tudo é muito engraçado, numa noite sair com os amigos, contar piada, "ouvir" um forrozinho e falar um monte de besteira e na manhã seguinte estar num ambulatório do maior hospital público do estado do Pará, de barba e conduta afeitadas, auxiliando cidadãos, teoricamente minha imagem e semelhança, a recuperar um pouco de dignidade e saúde. A tarde apelidando os colegas de trabalho, de noite - nem todas - escrevendo versos com motes variados. Pra completar, agora ainda inventei de malhar! Coitado...
Enfim, neste Natal de 2008, me dei de presente iniciar este Blog, cujas palavras não são nem serão destinadas a nenhum personagem da vida real, mas confesso minha curiosidade em saber a opinião das pessoas sobre minhas tortas linhas que virão.


* Superego: Representa a censura dos impulsos que a sociedade e a cultura impõem, impedindo o ID**** de satisfazer plenamente os seus istintos e desejos.
** Transtorno Afetivo Bipolar: é uma forma de distúrbio de humor caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase de euforia, hiperatividade e grande imaginação, e uma fase de depressão, lentidão, ansiedade ou tristeza.
*** Residência médica: modalidade de ensino de pós-graduação destinada a médicos, sob a forma de curso de especialização, funcionando em Instituições de Saúde, sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional, sendo considerada o “padrão ouro” da especialização médica.
**** ID: reservatório da energia psíquica, onde se "localizam" os impulsos. Formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes e regido pelo princípio do prazer, que exige satisfação imediata.
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