Depois de um mês sem escrever neste blog, de onde inventei esse papo de histeria? Na verdade, estava conversando por esses dias sobre história da psicologia com um profissional da área e ele me comentou alguns aspectos interessantes sobre a evolução temporal do diagnóstico e tratamento desta condição. Deste colóquio flácido surgiram informações que aqui compartilharei convosco.
O termo histeria é derivado da palavra grega hystera e significa matriz.
- De acordo com Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, matriz é o "lugar onde algo se gera ou cria; órgão das fêmeas dos mamíferos onde se gera o feto; útero.
- Hipócrates entendia a histeria como sendo uma doença orgânica de origem uterina e, portanto, especificamente feminina que afetava todo o corpo por sufocações da matriz. Ele supunha que a histeria se desenvolvia pela privação de relações sexuais, dessecando o útero, que perderia peso e se deslocaria pelo corpo em busca da umidade necessária. A paciente teria sua respiração afetada, desenvolvendo convulsões se o útero subisse até o hipocôndrio e estacionasse nesse órgão. Caso o útero prosseguisse sua subida e atingisse o coração, a paciente emitiria sinais de ansiedade, opressão e vômitos.
- Elisabeth Roudinesco e Michel Plon afirmam que "as convulsões e as famosas sufocações da matriz eram consideradas a expressão de um prazer sexual e, por conseguinte, de um pecado". A mulher era vista como sendo possuída por um demônio, que a fazia agir involuntariamente, simulando doenças, ou seja, um pitizão!
- Ramadam entendia o desenvolvimento da histeria pelo efeito de "um calor interno que propagaria através de todo o corpo uma efervescência, manifestando-se sem cessar em convulsões e espasmos". Esse calor seria representante da paixão, entusiasmo ou ardor amoroso. Dessa forma, a histeria estaria mais associada a moças que procuram namorados, jovens viúvas ou separadas.
- Freud versou sobre a etiologia sexual da histeria, citando Charcot, que “em casos semelhantes, sempre é a coisa genital”, e Chobrak, cuja prescrição apropriada para esses casos era “Penis normalis dosim repetatur"

No serviço privado vez por outra atendo alguns casos de dor no peito e falta de ar que me remontam Chobrak... Freud explica!

Boa análise histórica, nem tão boa a frase final.
ResponderExcluirPS.: só pra constar hipocôndrio não é um órgão. "...A paciente teria sua respiração afetada, desenvolvendo convulsões se o útero subisse até o hipocôndrio e estacionasse nesse órgão."